23 April 2018

ser criança :: being a child

wild child - countrylife

As crianças, atentas ao presente, agora-agora, conseguem transformar tempo comum em férias. Eu, ao deixar de saber como fazê-lo, ganhei a capacidade de observá-lo.

                                                                                               José Luís Peixoto

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Children, mindful of the present, now-now, are able to turn ordinary time on vacation. I, by not knowing how to do it, gained the ability to observe it.


                                                                                               José Luís Peixoto

11 April 2018

balanço - primavera :: taking stock - spring

countryside life - home to be

Eu sei, eu sei. Estava tão entusiasmada em retomar este blogue e depois desapareço durante três meses...

Logo a seguir ao meu último post, o meu portátil começou a falhar-me. Uma a uma, as teclas deixaram de responder: primeiro o "s", depois o "e", o "w", ... Experimentem escrever sem "és" e "esses"!!!

Pesquisar - e pesar - as hipóteses: comprar um novo computador ou arranjar o actual ou ...
Decidir: comprar um teclado para acoplar ao (cada vez menos) portátil.
Recuperar o atraso no trabalho (que eu sou das que até no autocad gosta de usar comandos escritos...).
E, agora, voltar aqui para pôr a conversa em dia...

Para já deixo-vos o balanço que fui fazendo nos primeiros dias desta Primavera.

A fazer champô sólido (a ver se é desta que acerto na fórmula para o meu cabelo)
A (tentar) cozinhar em recipientes de barro
A beber infusão de limonete
A ler Justine, a primeira do Quarteto de Alexandria
A procurar inspiração para decorar casas pequenininhas
A querer importar a ideia das vendas de garagem (dava tanto jeito!). Importamos tanta coisa americana, esta - ao menos - seria útil
A olhar para os livros nas estantes e a perceber que isto de escolher livros para doar não está a ser tão fácil como pensava
A decidir o término da minha presença nas redes sociais (sim, que isto não é só decidir e fechar as contas…)
A desejar sermos escolhidos para a casa que gostávamos que fosse a nossa próxima (ainda à espera…)
A apreciar o grupo de mães e pais (e respectiva prole) que se está a formar aqui
A esperar que, de alguma forma, acontecimentos como este, mostrem às pessoas que temos que mudar a forma como vivemos neste planeta (que por acaso é o único que conhecemos que sustenta a nossa forma de vida…)
A gostar, cada vez mais, de estar com os amigos que fizemos, graças ao meu primeiro blogue
A sonhar e a planear um jardim
A adorar ter recomeçado a nadar
A ouvir as “escolhas” musicais da minha filha (deixo-a escolher os vinis que pomos a tocar, herança do meu pai). Ouço desde Bach a música de dança dos anos 70
A considerar uma grande roadtrip no verão
A ver (e a guardar, para mais tarde mostrar à Íris) curtas metragens para crianças
A pensar em como viver aqui ajuda a trabalhar a nossa paciência (principalmente a do Zé Manel): tudo demora muito mais tempo a concretizar-se
A maravilhar-me com a vista da nossa varanda
A precisar de novos atoalhados (até há uns anos, nunca tinha sequer imaginado que as toalhas tinham prazo de validade…)
A questionar (tantas vezes o faço) a sanidade mental de tantos exemplares (ditos) humanos
A cheirar os maciços de alecrim e alfazema que rodeiam  a nossa casa
A usar gorros e cachecóis, porque vivemos bem no alto da vila
A seguir a minha amiga Ana, que muito gosto de ler, e que voltou à blogosfera
A reparar que ser mãe me dá muita força para ser a melhor versão de mim mesma
A conhecer melhor a flora desta região
A admirar, na paisagem, os efeitos da abundância da água
A organizar os materiais que fui guardando ao longo de anos e que, agora, vão ser úteis para a Íris
A preparar o meu equipamento fotográfico, porque nos últimos meses (quase) só tenho fotografado com o telemóvel e estou com saudades da máquina
A comprar suculentas (encontrei um local com imensas variedades. Uma perdição!)
A não gostar do facto de ainda continuarmos a juntar muito plástico no balde da reciclagem
A abrir (e a arrumar) as últimas caixas (afinal, não vamos bater o recorde da última mudança, onde conseguimos colocar tudo no sítio em 2 meses)
A sentir muita impotência perante tantos atentados à vida humana
A cobiçar uns marcadores maravilhosos (mas não quero nada voltar a comprar marcadores – o plástico, o plástico, senhores)
A petiscar chips de legumes

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I know I know. I was so excited to get back to this blog and then I disappear for three months...

Shortly after my last post, my laptop started to fail me. One by one, the keys stop responding: first the "s", then the "e", the "w", ... Try to write without those keys!!!

Search - and weigh - the hypotheses: buy a new computer or arrange the current one or...
Decide: buy a keyboard to attach to the laptop.
Retrieve the delay in the work (because I'm one of those people that even in autocad like to use written commands...).

And now, come back here to update...

For now, I'll leave you the taking stock that I made in the first days of this spring.

Making solid shampoo (let’s see if this is the right formula for my hair)
(trying to) Cooking  in clay pots
Drinking lucia lima tea
Reading Justine, the first of The Alexandria Quartet
Searching for inspiration to decorate very little houses
Wanting to import the idea of garage sales. We imported so much american stuff, this - at least - would be useful
Looking at the books on the shelves and realizing that choosing books to give away isn’t as easy as I thought
Deciding to end my presence on (some) social networks (yes, this is a process...)
Wishing that we will be the ones chosen for the house that we want to be our next (still wainting…)
Enjoying the group of parents (and their respective offspring) that's being gathering around here
Waiting that somehow events like this one show people that we have to change the way we live on this planet (which happens to be the only one we know that sustains our form of life...)
Liking more and more, to be with the friends that we made, thanks to my first blog.
Wondering and planning a garden
Loving to have started swimming again
Listening my daughter's musical "choices" (I let her choose the vinyl’s we play, my father's inheritance). I've been listening since Bach to 70s dance music
Considering a big roadtrip in the summer
Watching (and saving to share with Iris later on) short movies for children
Thinking about how to live here helps to work our patience (especially Zé Manel’s): everything takes a lot more time to be done
Marvelling at the view from our balcony
Needing new towels (until a few years ago, I had never even imagined that towels had expiration date...)
Questioning (so often I do it) the sanity of so many human beings
Smelling the shrubs of rosemary and lavender that surround our house
Wearing caps and scarves, because we live high up in the village
Following my friend Ana, who I love to read, and who has returned to the blogosphere
Noticing that being a mother gives me a lot of strength to be the best version of myself
Knowing better the flora of this region
Admiring the abundance of water in the landscape,
Organizing the materials that I have been saving for years and that will be useful for Iris
Preparing my photographic equipment. In the last months I (almost) have only photographed with my phone and I miss the camera
Buying succulent (I found a place with huge varieties. A ruin!)
Disliking that we still have too much plastic in the recycling bin
Opening (and tidying up) the last boxes (after all, we're not going to beat the record of the last house move, where we put everything in order in 2 months)
Feeling a lot of impotence in the face of so many attacks on human life
Coveting marvelous markers (but I don’t want to go back and start to buying markers again - the plastic, the plastic, my friends…)
Snacking vegetables chips

9 January 2018

balanço - inverno :: taking stock - winter

beira baixa

O Inverno já começou há uns dias umas semanas... Para mim é engraçado que o início da estação que, supostamente, traz mais frio e chuva, seja também o princípio dos dias maiores. Ainda que devagarinho, é bom ver que cada tarde dura um bocadinho mais que a anterior. E que temos (ainda) mais tempo para andarmos lá fora!

Por estas bandas há seis meses, ainda não assentamos (o que quer que isso queira dizer...). Aliás, estamos neste momento a preparar-nos para mudar de casa... Estamos a ficar peritos em mudanças, posso dizer-vos!

E apesar de ainda andarmos à procura do nosso cantinho, e de haver alterações e alguns desvios a fazer para realizar o nosso sonho, continuamos a sentir que é aqui que queremos ver a nossa menina a crescer. Mesmo que custe - e custa - estar longe dos nossos, principalmente quando algo corre menos bem e queremos estar lá, nem que seja para dar um abraço apertado.

Também, algures no final de 2017, acabaram os 1001 dias do meu projecto "101 things in 1001 days". E é tão interessante perceber que, neste espaço de tempo, tanta coisa mudou! O "eu" de há 3 anos nem imaginava como ia dar uma grande volta na sua vida...

Muitas coisas para partilhar convosco nos próximos tempos. E, a mais importante, quanto a mim, é que descobri o rumo que quero dar a este blogue. Estou muito entusiasmada! Tanto como quando comecei o meu primeiro blogue.

Mas, para já, deixo-vos aqui o meu balanço destes dias.

A fazer construções com blocos de madeira
A cozinhar (com) pastinacas
A beber chá de gengibre
A ler um e-book pela primeira vez (será que vou ficar fã?)
A procurar pinhas (a melhor acendalha que existe)
A querer estar mais presente por aqui (a ver se é desta)
A olhar para os céus magníficos que os horizontes amplos me proporcionam
A decidir (finalmente) o rumo deste blogue
A desejar sermos escolhidos para a casa que gostaríamos que fosse a nossa próxima
A apreciar o azeite feito com as nossas azeitonas, apanhadas por nós (e pela nossa família e amigos)
A esperar que o meu cabelo perceba que o Outono já passou…
A gostar das “novas” pessoas que nos rodeiam
A sonhar com uma viagem
A adorar ter tido aqui muitos dos nossos amigos na passagem de ano
A ouvir a banda sonora (em português) do Rei Leão (e não, não é por ela, sou mesmo eu que gosto)
A considerar doar grande parte da minha biblioteca
A ver este programa (o único que vale a pena, dentro do género. Quanto a mim, claro)
A pensar em como temos reduzido - a cada nova habitação - o tempo de permanência nas casas que alugamos…
A maravilhar-me com o processo natural da descoberta das palavras, da fala
A precisar de um poncho para a chuva que seja “babywearing friendly”
A questionar o tamanho das habitações, hoje em dia (por comparação com as casas há umas décadas, por exemplo)
A cheirar a lenha a arder
A usar muitas camadas de roupa
A seguir a Anna
A reparar na rapidez com que a nossa menina cresce
A conhecer os limites do nosso concelho, que - numa grande área -  são também os do nosso país (e a pensar nisto das fronteiras artificiais)
A admirar os animais selvagens que habitam nas proximidades (já vi lebres, raposas, veados, grifos, perdizes, garças, corvos, além de dezenas de outras espécies de aves que ainda não sei identificar)
A organizar a próxima mudança de casa (seja ela qual for…)
A preparar-me para reduzir, em muito, os nossos bens materiais
A comprar um cabaz semanal de legumes biológicos e de produção local (enquanto não temos os nossos), graças à iniciativa de um amigo 
A marcar… nenhum livro físico (ai, ai, …)
A não gostar do gelada que é esta casa
A abrir os armários para “destralhar” (muito na moda)
A sentir um alívio (e felicidade) muito grande por saber que a bebé mais nova da família vai ficar bem (depois de nos ter pregado um susto enorme)
A cobiçar… nadinha de nada
A petiscar chocolate

Aqui podem ver os "balanços" anteriores.
Aqui têm uma lista em branco para copiarem e preencherem, se quiserem experimentar!

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Winter has begun a few days weeks ago... The funny thing is that the beginning of the rain and cold season (theoretically), it’s also the beginning of the bigger days. Although slowly, it's good to see that each afternoon lasts a little longer than the previous one. And we (still) have more time to go outside!

Around here for six months, and we haven't yet settled (whatever that means...). By the way, we're currently preparing to move again... We're getting experts in changes; I tell you!

We are still looking for our special place, and there are some changes and deviations to do in order to fulfil our dream. But we still feel that this is where we want to see our baby girl grow. Even if it costs - and costs - to be far from ours, especially when something goes wrong and we want to be there, even if it's only to give a big hug.

In addiction, somewhere in late 2017, the 1001 days of my "101 things in 1001 days" project ended. And it's so interesting to realize that, in this space of time, so much has changed! 3 years ago, I would never imagined that I would be what I am today...

Many things to share with you in the time ahead. And the most important thing for me is that I found the direction to this blog. I'm very excited! As much as when I started my first blog.

But for now, I leave here my taking stock of these days.

Making wooden block constructions
Cooking (with) parsnips
Drinking ginger tea
Reading an eBook for the first time (will I become a fan?)
Trawling for pine cones (the best lighter that exists)
Wanting to be more present around here (it will happen)
Looking at the magnificent skies that vast horizons provide me
Deciding (finally) the direction of this blog
Wishing that we will be the ones chosen for the house that we want to be our next
Enjoying the olive oil made with our olives, picked up by us (and by our family and friends)
Waiting that my hair realizes that autumn it’s gone...
Liking the "new" people around us
Wondering about a trip 
Loving to have received many of our friends for the New Year's Eve
Listening to the Lion King’s soundtrack (in Portuguese). And no, it's not for her, it's really me…
Considering donating a large part of my library
Watching this program (the only one worthwhile, within the genre. In my opinion, of course)
Thinking about how we have reduced - with each new move - the time we stay in the houses we lived in...
Marvelling at the natural process of discovering the words, the speech
Needing a rain poncho baby wearing friendly
Questioning the size of the houses, nowadays (by comparison with the houses decades ago, for example)
Smelling wood burning
Wearing many layers of clothing
Following Anna
Noticing how fast our girl grows
Knowing the limits of our county, which - in a large area - are the same of our country (and thinking about the artificial borders)
Admiring the wild animals that live nearby (I've seen hares, foxes, deer, griffins, partridges, herons, crows, as well as dozens of other species of birds I still can’t identify)
Organizing the next house move (whatever it may be...)
Preparing to highly reduce our material possessions
Buying a weekly basket of organic and local vegetables (while we don’t have ours) thanks to a friend’s initiative
Bookmarking… no physical book (alas, alas, ...)
Disliking how cold this house is
Opening the cabinets for declutter (very trendy)
Feeling a great relief (and happiness) to know that the youngest baby in the family will be fine (after we've had a big fright)
Coveting nothing at all
Snacking chocolate

Here you can see the previous "taking stock".
Here you have a blank list to copy and fill if you want to try it!

3 January 2018

bom ANO! :: happy NEW YEAR!

marão
Marão

Hoje de manhã saí muito cedo


Hoje de manhã saí muito cedo,
Por ter acordado ainda mais cedo
E não ter nada que quisesse fazer...

Não sabia por caminho tomar
Mas o vento soprava forte, varria para um lado,
E segui o caminho para onde o vento me soprava nas costas.

Assim tem sido sempre a minha vida, e
Assim quero que possa ser sempre -
Vou onde o vento me leva e não me
Sinto pensar.

                                     Alberto Caeiro

::

This morning I left very early


This morning I left very early
Cause I waked up much earlier
And I had anything I would wished to make…

I didn’t know the way to take
But wind was blowing strong, towards one side sweeping,
And I took the direction to where wind was blowing.

So has been my life and
So I wish it will be forever -
I’m going to where wind takes me
And I don’t feel myself thinking.

                                     Alberto Caeiro

19 December 2017

resultado do "giveaway cozinha vegetariana para bebés e crianças"



Obrigada a quem participou no giveaway do livro "Cozinha Vegetariana para bebés e crianças"!

Peço desculpa pela demora na apresentação do resultado. Como disse, fiz o sorteio através do random.org. No entanto, só à terceira tentativa é que encontrei um participante que tivesse feito as três coisas que - carinhosamente... - pedi, para se poderem habilitar a ganhar este livro delicioso.

Parabéns Ana Sabino! Envia, por favor, para o email awoundrousday@gmail.com, a morada para onde devo enviar o livro.

11 December 2017

giveaway "cozinha vegetariana para bebés e crianças"


E porque é Dezembro, e porque estamos a caminho do Natal (e sim, eu gosto muito do Natal, como já contei aqui), e porque gosto de oferecer presentes, e porque recebi - de pessoas diferentes - 2 exemplares deste livro, ... Vou sortear, entre vocês, um deles.

Ainda não experimentei muitas receitas do livro, confesso, porque a nossa menina é um pisquinho a comer, mas principalmente porque lhe oferecemos (regra geral) o que nós comemos, desde os 6 meses (com a ressalva do sal, até aos 12 meses, e do açúcar a afins, até aos 2 anos, pelo menos). Mas as que fiz (ainda que com alterações, porque isto de eu seguir receitas...) ficaram uma delícia!

Não se preocupem, não precisam de fazer 10 mil coisas diferentes, para se candidatarem... Só têm de:
- deixar um comentário a este post;
- seguir este blogue (se ainda não o seguem...);
- partilhar este post no vosso mural do facebook (em modo público).

Devem fazê-lo até às 23h59 de 14 de dezembro. No dia 15 publicarei o resultado (o sorteio será feito através do random.org).

Boa sorte!


P.s. E parece que vêm aí mais coisas boas para vos oferecer!...

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This is a giveaway of a portuguese vegetarian cookbook...

3 December 2017

não comprar coisas novas para a bebé :: do not buy new things for my baby

este post faz parte do desafio que lancei a mim própria e que deu origem ao meu primeiro blog: adoptar 365 hábitos de maneira a reduzir a minha pegada ecológica (aqui está a lista das medidas já tomadas). Esta é a 222ª medida.


                     tudo "segunda mão" (mesmo o que não está à vista)                                                                     o carrinho, numa das suas poucas viagens...
                           all "second hand" (even what isn't in sight)                                                                               the baby stroller, in one of his few trips...

Para mim, não fazia sentido - a partir do momento em que decidimos ter um bebé - não continuar a esforçar-me para reduzir o nosso impacto no ambiente. Aliás, essa necessidade, chamemos-lhe assim, aumentou: "se vais colocar mais um ser humano neste planeta, é bom que redobres o esforço para o deixares num estado melhor do que está". Sim, porque eu continuo a acreditar - piamente, inocentemente, loucamente - que cada um de nós pode fazer a diferença.

Ora, para qualquer pessoa - minimamente observadora e que tenha alguém com bebé(s) na sua vida - é mais que óbvio que - hoje em dia - na nossa sociedade, os bebés precisam de muitas coisas, para sobreviverem a esta fase das suas vidas... A primeira vez que me deparei com uma lista do que tanto bebé e mamã precisariam - quer em casa, quer no hospital/maternidade - fiquei boquiaberta. E surgiram-me imagens das inúmeras vezes que tinha observado amigos, já pais, a carregarem as malas dos carros com tudo e mais alguma coisa, de cada vez que íamos de férias. Fosse um fim-de-semana ou uma semana. Ou a chegarem a uma festa de algumas horas com mais do que eu levo para 15 dias de viagem... "Há uma outra maneira. Um bebé não precisa disto tudo. - disse eu a um Zé Manel estarrecido e nada habituado a bebés - Não, nós não vamos ser assim." 

E não fomos. Não somos. A nossa bebé fez 1 ano e posso contar pelos dedos das mãos as coisas novas que lhe comprámos: um sling (a uma artesã portuguesa), uma mochila ergonómica (na verdade, foi oferecida, mas conta na mesma), um carrinho (o nosso pecado ambiental... já aqui volto...), livros, alguns brinquedos didácticos e fraldas reutilizáveis (e metade são em segunda mão, mas isto fica para outro post). Claro que lhe ofereceram coisas novas e coisas feitas com amor e carinho (por exemplo, a tia mais nova da Íris fez-lhe uma linda alcofa, que depois de muito usada nos primeiros meses, é agora a casa dos bonecos dela...). Ainda é muito difícil explicar que podem comprar em segunda mão para nos oferecer. Ou que nem precisam de oferecer nada! E sim, podíamos ter optado por versões em segunda mão dos objectos supracitados. Não somos perfeitos (longe disso) e às vezes deixamo-nos levar pelo consumismo verde (pois...).

Foi o caso do carrinho. Nas minhas pesquisas pelo mundo virtual, dei com este carrinho e entusiasmei-me: é totalmente feito a partir de materiais reciclados (a estrutura utiliza 5,6kg de plástico reciclado e o tecido é feito a partir de 62 garrafas PET). Quando já não estiver próprio para consumo, podemos devolvê-lo à empresa e os seus materiais serão totalmente reutilizados em novos produtos. Ai, ai... Estão a ver por onde me pegaram? E, ao contrário dos outros carrinhos de bebé (na minha opinião), é bonito. E leve, e personalizável,  (podia ter um carrinho branco!!!) e prático (não é preciso tirar um curso para o saber dobrar...). Fomos ver o carrinho e, por causa dele, fizemos uma lista de nascimento... Durante os primeiros 4 meses da Íris parecia que íamos cair em nós. Estivemos quase, quase para não levantar o carrinho, até porque já tínhamos percebido que não nos estava a fazer falta: somos grandes fãs dos slings e mochilas ergonómicas. Mas deixámo-nos levar... E agora temos um carrinho ali parado na entrada, e que foi usado uma meia dúzia de vezes... Mais uma lição.

Então, como fizemos (e continuamos a fazer)?

(Pelo menos) metade das coisas que estavam nas tais listas foram colocadas de parte (móvel banheira+vestidor???). Como temos a sorte de ter familiares e amigos generosos e com bebés pouco mais velhos, a maior parte das coisas - que na verdade só são usadas uns meses - foram-nos emprestadas ou até dadas. À medida que vão deixando de ser precisas, são devolvidas ou, no caso das doações, entregues a outras famílias, mantendo assim o ciclo de reutilização. Quando precisamos mesmo de comprar coisas, normalmente uma ou outra peça de roupa que está em falta (um casaco mesmo, mesmo quente, por exemplo) vamos às lojas Kid to Kid. Somos fãs! Quando vivíamos em Matosinhos havia uma outra loja de género (quase ao lado da Kid to Kid), mas não me lembro do nome... Também há lojas online de venda de artigos para bebés e crianças em segunda mão, mas nunca experimentámos.

Em relação aos brinquedos, fizemos a opção de ter muito poucos, até porque a Íris, como quase todos os bebés, gosta de brincar com "não brinquedos": caixas e caixinhas, utensílios de cozinha, fitas, papel, pedras, pinhas, terra, ... Confesso que me perco nas lojas virtuais de brinquedos de madeira "sustentáveis", mas tenho conseguido controlar-me. Ainda assim, os que comprámos foram novos, porque, infelizmente, nas lojas de artigos em segunda mão é muito difícil encontrar os brinquedos que procuramos. Também metemos mãos à obra e estamos a fazer brinquedos para ela, como este  quadro (quando estiver pronto partilho). Não faltam tutoriais de brinquedos por esse mundo (virtual) fora. E eu tenho alguns livros que herdei, mas são de brinquedos para crianças um pouco mais velhas (lá chegaremos...).

Livros temos comprado e recebido de presente (novos e usados), mas vamos começar a usar mais a biblioteca da vila, que tem uma secção infantil razoável. Eu, em criança - e apesar de termos muito livros em casa - adorava ir à biblioteca escolher livros. Quem sabe despertamos esse mesmo prazer na nossa menina.

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It didn't make sense to me - from the moment we decide to have a baby - not to continue to strive to reduce our impact on the planet. In fact, this need, so to speak, has increased: "If you are going to put another human being on this planet, you better redouble the effort to leave this world in a better state than it is." Yes, because I still believe - piously, innocently, madly - that each of us can make a difference.

Now, for anyone - minimally keen observer, and having someone with baby(s) in their life - its’s more than obvious that - in today’s society - babies need a lot of things to survive this phase of their lives... The first time I came across with a list of what both baby and mum would need - whether at home or at the hospital - I gasped. And it came to my mind all those images from the countless times I had seen friends, already parents, loading up the car's trunks with everything and anything else each time we went on vacation. No matter if it was a weekend or a week. Or to come to a party of a few hours, with more than I ever took for 15 days of travel... "There is another way. A baby doesn't need all this," I said to a terrified Zé Manel, unfamiliar with babies, "No, we will not be like this."

And we weren't. We aren't. Our baby girl is one year old and I can count with my fingers the new things we bought her: a sling (to a Portuguese artisan), a baby carrier (actually it was offered, but it counts), a baby stroller (my environmental sin... I'll come back to this...), books, some didactic toys and reusable diapers (and half of them are second-hand, but this is for another post). Of course, people offered her new things and things done with love and affection (for example, Iris's youngest aunt made her a pretty carrycot, which, after being used a lot in the first months, ii’s now the house of her teddies...). It's still very difficult to explain that they can buy second-hand to offer us. Or that they do not even need to offer anything! And yes, we could have chosen second-hand versions of the above objects. We aren't perfect (far from it) and sometimes we get carried away by green marketing (yep...).

That was the case of the baby stroller. In my web searches, I found this stroller and I was thrilled: it's totally made from recycled materials (the structure uses 5.6kg of recycled plastic and the fabric is made from 62 PET bottles). When it's no longer fit for consumption, we can return it to the company and its materials will be totally reused in new products. Oh, uh... You see how they got me? And, unlike the other baby strollers (in my opinion), it's beautiful. And light, and customizable, (I could have a white stroller!!!) and practical (no need to take a course to know how to fold it...). We went to see the stroller, and because of it we made a birth list... During the first 4 months of Iris it seemed we were going to get reasonable. We nearly drop out the idea of the stroller, since we had already realized that we don't needed it: we are big fans of the slings and baby carriers. But we got carried away... And now we have a stroller standing at the doorway, that was used half a dozen times... One more lesson.

So how did we proceed (and still do)?

(At least) half of the things that were on such lists were set aside... Since we are fortunate to have generous family and friends with babies, most things - which are actually only used for a few months - have been lent or even given. As they cease to be needed, they are returned or, in the case of donations, handed over to other families, thus maintaining the cycle’s reuse. When we really need to buy things, usually one or another missing piece of clothing (a very, very warm jacket, for example) we go to ‘Kid to Kid’ stores. We are fans! There are also online stores selling second-hand baby products, but we never tried.

Regarding to toys we choose to have very few, especially because Iris, like almost all babies, loves to play with "no toys": boxes, kitchen utensils, ribbons, paper, stones, pine cones, ... I confess that I get lost in the online stores of "sustainable" wooden toys, but I have managed to control myself. Still, the ones we bought were new, because unfortunately it's very difficult to find the toys we are looking for in second-hand stores. We also are making toys for her, like this board (when it's finished I’ll share it). There is no lack of toys DIY in the web. And I have some books that I have inherited, though with toys for older children (we will get there...).

Books, we have bought and received as gifts (new and used), but we will start to use more the village library, which has a reasonable children's section. As a child, I loved going to the library to choose books - though we had plenty of books at home. Maybe we’ll be able to awaken that same pleasure in our girl.

6 October 2017

chuva :: rain

beira baixa

"O seu avô paterno rezava junto aos rios quando queria pedir chuva. - E depois chegava a chover? - Chove sempre depois. A reza é que pode ser feita com demasiada antecedência."

                                                                                                                           Mia Couto, Jesusalém

::

"Your paternal grandfather prayed by the rivers when he wanted to ask for rain. - And then it rained? - It always rains after. The prayer may have been done too far in advance."

                                                                                                                           Mia Couto, Jesusalém